Uma centralidade, em termos urbanos é uma área urbana que movimenta e relaciona em rede, os mais diversos sectores da cidade.

Comercio, serviços, equipamentos sociais e culturais  e espaços públicos são as  tipologias fundamentais para definir uma centralidade que é um conceito urbano e nunca rural.

 O que define uma centralidade é a mobilidade gerada pela dinâmica das várias actividades urbanas- os fluxos -, ou seja, a circulação contínua de consumidores, trabalhadores, automóveis, mercadorias, informações e ideias; a presença desses elementos e suas dinâmicas dão função aos espaços e definem territórios com uma diversidade cultural , social e económica.

Chamar centralidades a bairros residenciais , reduzidos a apartamentos com algum comércio no piso térreo, é completamente erróneo. Podem a isso chamar-se bairros dormitórios, apenas. E para isso podemos lembrar o livro d Manuel Rui Monteiro, “Quem me dera ser onda”. Mesmo para as nossas  cidades, onde a maioria da população angolana tem ainda um modo rural de viver a cidade, forçosamente serão as banheiras e varandas os locais de cultivo e criação de animais domésticos e as suas inevitáveis consequências de esgotos entupidos e destruição da rede infra-estrutural.  E se até aí não se chegar, apartamentos em grande altura  são na maioria usados praticamente como dormitórios para os alargados núcleos da maioria das famílias angolanas cuja base social e económica não se enquadra na chamada classe média urbana. São as pessoas que são responsáveis? Não! São as cidades que não estão a ser construídas para responder às necessidades culturais, sociais  e económicas dos seus habitantes

Nunca uma cidade se define pela habitação e sim pelos equipamentos públicos, sociais, culturais e económicos. É esse o cerne da urbanidade.

Mesmo para as nossas cidades, onde a maioria da população angolana tem ainda um modo rural de viver a cidade, as banheiras e varandas serão forçosamente  os locais de cultivo e criação de animais domésticos e as suas inevitáveis consequências de esgotos entupidos e destruição da rede infra-estrutural

Construir edifícios de habitação em altura em áreas rurais, num país de território imenso como Angola é não perceber os conceitos essenciais da cultura rural. As necessidades rurais nada têm a ver com apartamentos em altura. É um absurdo.

A relação fundamental entre interior e exterior, entre casa, quintal e zonas de cultivo exige uma relação horizontal na concepção dos espaços vivenciais em meios rurais. Que lógica tem um agricultor viver num décimo andar numa torre pendurada no meio de áreas de cultivo? Em quê lugar do mundo isso faz sentido, usando para tal, como simples referência, o bom senso e o mínimo conhecimento? Celeiros, equipamentos industriais de transformação e conservação refrigerada dos bens produzidos, cooperativas, associações culturais e recreativas, centros de investigação agronómica e pecuária, são os equipamentos fundamentais do meio rural para o desenvolvimento.  As habitações deverão ser térreas ou de 2 pisos com gradações de espaços entre as áreas de produção, quintais, abrigos exteriores cobertos para armazenamento de produtos e tratamento domésticos dos mesmos, alpendres com largas varandas, zona de limpezas e banhos nas zonas de acesso à casa e só então o espaço interior da chamada casa. Falo dos espaços elementares com que se faz uma ruralidade para o bem estar e o desenvolvimento.