Ética e Moral, pilares dos códigos de conduta humana

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«No sentido prático, Ética e Moral são as bases que orientam o comportamento humano, determinando o carácter, altruísmo e virtudes, ensinando a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade».

Qualquer poder tem de ter um código ético de conduta, ao qual lideranças e colaboradores se devem adequar para melhor viver em sociedade. 

São eles que regulam as convivências e fazem com que se eduque no sentido da tolerância, as diferenças e o respeito pelo próximo, nas atitudes e decisões de cada um. É que só pela Ética e pela Moral, em conjugação, se pode colocar uma sociedade em ordem e viver nela. Esse é um dever de uma governação: a Ética deontológica.

Abdicar da Ética e da Moral é o caminho certo para contaminar de miséria mental a vida de uma sociedade

A recente posição conjunta de uma série de organizações religiosas e civis a favor da necessidade de uma comunicação social pública isenta e plural,  o manifesto sobre o racismo assinado por vários intelectuais e as vozes individuais que se têm levantado, indignadas, sobre a ausência de um código deontológico, são manifestações que denotam que a Ética e a Moral urgem ser restauradas. Nunca fomos nem somos uma Democracia nem um Estado de Direito, o que é legível pelas estatísticas, mesmo oficiais. Mas também não éramos um campo aberto de franco atiradores sem escrúpulos. Conheci pessoalmente José Eduardo dos Santos e justiça lhe seja feita: nunca no seu tempo foi permitido que o insulto, a mentira, a ofensa, aliadas à ignorância e arrogância, fossem campo aberto nos órgãos estatais de comunicação. Era um homem educado e elegante. 

Diz-nos Hannah Arendt: “o indivíduo massificado, incapaz de pensar por si, de  fazer reflexões e construir noções éticas individuais, torna-se uma ferramenta nas mãos do partido; Nas sociedades de massa, os valores tradicionais são diluídos e relativizados, em cujo lugar se perpetuam os valores ideológicos do partido e de seu projecto de poder; A execução de ordens é a mera obediência cega, independentemente se o partido pede para organizar distribuição de alimentos ou o extermínio de um grupo étnico; Assim, o mal torna-se um acto banal, uma mera execução de técnica de ordens.”

É do domínio comum que só é respeitado quem respeita o seu semelhante. É também do mais básico conhecimento sobre os humanos que não há duas pessoas iguais como provam as diferentes impressões digitais de cada um de nós, independentemente da geografia, raça e cultura. É por isso do mais elementar sentido da vida o dever pelo respeito pela diferença, na convivência entre humanos. 

António Damásio, célebre neurocientista, alerta para a necessidade de educar massivamente os cidadãos para que aceitem e respeitem os outros. Porque, segundo ele “Se não houver educação massiva os seres humanos vão matar-se uns aos outros”. 

Diz ainda A. Damásio:  “o que nos difere dos animais é a Cultura”.

Os grandes motivadores da nossa ruptura cultural actual foram as condições que levaram ao desmoronar de pilares de coesão, sociais e culturais, levando à dor e ao sofrimento a vida, durante tantos anos. Amorfismo que empurrou as pessoas a cancelar a Cultura. Daí a urgente necessidade de educar emoções e sentimentos crus, deseducados, expostos hoje sem qualquer pudor. 

“Criar e seleccionar valores é a função da Cultura, da qual faz parte a filosofia política. A Cultura, se não tem iniciativa própria, independente do mercado e do Estado, não é cultura de maneira alguma: é apenas propaganda. Fazer abstracção dos princípios e valores, deixando-os por conta do mercado, é o mesmo que entregá-los à mercê do Estado, que não tem a menor dificuldade de tornar-se, quando quer, o maior comprador e vendedor de tudo”.

Só pela cultura e pelos valores, que constituem a identidade, nos afirmaremos e singularizaremos no Mundo.