A recente avaliação da comunicação social feita pelo Presidente da República despertou (no sentido negativo) enorme interesse nacional e público. 

Desde logo, pela sua peculiaridade. Disse o Presidente (em resumo) que Angola tem uma “boa imprensa”, pública e privada. 

Angola que (só) tem um jornal e meio diário, enquanto no Ghana, por exemplo, circulam dezasseis. 

Com apenas uma estação de rádio universitária, Angola, na visão clarividente do Presidente, é um caso a ser seguido. 

Porventura, estes estranhos sinais no discurso presidencial não sejam devidos somente ao impulso eleitoral e à vontade de impressionar o eleitorado.

Provavelmente, já sejam os sinais exteriores de vaidade após receber, recentemente, a medalha de “Campeão da Reconciliação em África”, uma proeza da União Africana.

Por certo, que União Africana julga que o mérito em África não se conquista, compra-se. 

No Jornal de Angola, a mencionada “distinção” até vinha associada a uma notícia em caixa alta, que não deixou de ser notada, também no sentido negativo.

Angola havia “doado” um envelope de  dez (10) milhões de dólares ao fundo fiduciário da União Africana. Está explicado. 

De regresso ao tópico inicial, o Presidente da República acha mesmo que a comunicação social respira saúde e recomenda-se. 

Até porque mantém a regularidade de atribuir às suas actividades, enquanto Presidente da República ou enquanto líder do MPLA, o maior quinhão dos noticiários da imprensa pública.

Por certo, na sua qualidade de Chefe do Executivo e por inerência, comandante-em-chefe da cadeia da comunicação social pública, o elogio é bem-vindo e merecido. 

Sobretudo, quando a comunicação social pública deixa (por ordem de quem, já se sabe) de fazer a cobertura de eventos como o “Congresso da Nação.”

Por mera coincidência, o MPLA, de que é o líder, adotou a mesma postura.

Jornalista, Escritor e Jurista.