Exalgina, a coleccionadora de casas

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Exalgina Gamboa está a revelar-se uma imbatível coleccionadora de casas oferecidas pelo Estado.

Em apenas uma década, a sortuda cidadã ganhou o equivalente a 7 milhões de dólares em casas.

Secretária de Estado da Cooperação, em 2012 Exalgina Gamboa recebeu  de oferta uma vivenda no condomínio Imbondeiro. O Ministério das Relações Exteriores comprou a casa a preço equivalente a três milhões e meio de dólares. 

Construído pela Sonangol, o Imbondeiro é um condomínio de luxo, predominantemente destinado a altos funcionários da petrolífera e a outros cidadãos de bolsos generosamente servidos. 

Antes de chegar a secretária de Estado, Exalgina Gamboa foi deputada pelo MPLA e presidiu ao Conselho de Administração da Assembleia Nacional. É improvável que nessa condição, ela vivesse numa casa de renda no Zango ou Sequele. 

Em 2018, Exalgina Gamboa chegou a  presidente do Tribunal de Contas, nomeada por João Lourenço. Dois anos depois, recebeu de oferta uma vivenda, no  condomínio Malunga, também  ela avaliada em 3, 5 milhões de dólares.

O Malunga é um selecto condomínio composto por apenas 41 residências de alto padrão e custos. As casas ocupam e 450 metros quadrados divididos em quatro quartos (suítes), duas salas e cozinha equipada. Dispõe ainda de uma lavandaria com quarto de apoio, além de piscina, zona de churrasco e estacionamento para quatro viaturas.

A Lei n.º 19/91  de 25 de Maio, sobre a venda do património habitacional do Estado, estabelece que cada cidadão “apenas poderá adquirir um imóvel unifamiliar ou uma  só fracção autónoma

Mas, há angolanos que estão acima da lei. Exalgina Gamboa e outros chico-espertos arranjam forma de contornar a lei. Exalgina faz parte de uma casta de angolanas que vive não sob as regras de jogo comuns. Para eles, aplicam-se regras de jogo especiais.   

Exalgina Gamboa e outros “eleitos” seriam abrangidos pela Lei n.º 19/91 se chegassem a casas do Estado por via do Instituto do Fomento Habitacional. 

O cidadão comum paga ao Estado para ser proprietário de uma só casa. A mesma lei também estabelece que, envolvendo casais, só a um dos cônjuges é permitido comprar casa ao Estado.

A Exalgina Gamboa e outros eleitos o Estado oferece luxuosas casas a custo zero. Fá-lo através de vários departamentos governamentais.  

Pela “janela” dos vários ministérios, os dois membros do casal podem ter casas próprias oferecidas pelo Estado desde que exerçam funções compatíveis…

A Lei n.º 19/91 dispõe que o cidadão que adquira uma casa do Estado só pode desembaraçar-se dela num período superior a 10 anos. 

Pela “janela” do Governo, Exalgina Gamboa (e outros bafejados pela sorte) não tem limites temporais para desfazer-se, se quiser, da milionária casa no condomínio Imbondeiro.

Com a média de 2 casas por cada década de serviço ao Estado, se nos próximos anos 20 anos for nomeada para outras elevadas funções públicas, Exalgina chegará ao fim da jornada com meia dúzia de habitações. Acumuladas sem gastar um tostão.

Exalgina Gamboa não é pessoa que encontrasse qualquer obstáculo para ter casa própria. Rui Cruz, pai dos seus três filhos, é o “vitalício” presidente da Imogestin, uma imobiliária em que interesses públicos e privados convivem numa “saudável” promiscuidade. 

Se “accionado”, Rui Cruz por certo que não teria a menor dificuldade de arranjar casa própria para a ex-esposa.

A função de consultor da presidente do Tribunal de Contas ( a troco de simpáticos três milhões e meio de kwanzas por mês) faz com que o fiscalista Rui Cruz continue muito presente na vida de Exalgina Gamboa.  

Apesar da facilidade que tem de ter acesso à casa própria, Exalgina Gamboa prefere que o Estado lha ofereça.

Exalgina tem sempre a sorte por perto: cada uma das casas que recebeu de oferta nos últimos 10 anos teve o preço avaliado em 3,5 milhões de dólares. Não pode ser apenas coincidência. É escolha.

A frequência com que Exalgina Gamboa é brindada com luxuosas casas torna presente a noção de que em Angola uns são menos angolanos do que outros. O Sol não é para todos.

Em Angola, há professores universitários, médicos, enfermeiros que não têm um muquifo onde descansar os ossos ao fim de extenuante jornada ao serviço dos seus concidadãos.

No próprio Tribunal de Contas há juízes que dizem não ter casa própria.  

Enquanto isso, a colecção de Exalgina cresce…

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