João Lourenço foi investido hoje nesta cidade no cargo de presidente da República de Angola, em cerimónia a que assistiram milhares de pessoas, entre as quais chefes de Estado estrangeiros, altas patentes das Forças Armadas, autoridades eclesiásticas e outros, destacando-se uma delegação presidencial dos EUA.

Após leitura do juramento, feito nos termos da Constituição, a investidura consumou-se com a imposição do crachat e do colar presidenciais, gesto protagonizado pela presidente do Tribunal Constitucional, Laurinda Cardoso. 

Desse modo, o cabeça de lista do MPLA, partido que venceu as eleições gerais de 24 de Agosto último, cumprirá de 2022 a 2027 o seu último mandato, à luz da Constituição angolana, que limita em dois o número de mandatos presidenciais. João Lourenço será igualmente titular do poder executivo e comandante em chefe das Forças Armadas Angolanas.

Na sua intervenção, a presidente do Tribunal Constitucional alertou que “as eleições não são um cheque em branco dos eleitores para o vencedor”, pedindo ao presidente empossado que governe indistintamente para todos os angolanos. “Seja o presidente de todos nós. Dos que votaram em si, dos que não votaram em si, dos que votaram em ninguém e dos que não votaram”, apelou.

Por seu turno, João Lourenço, começou por felicitar os partidos concorrentes às eleições, os quais, no seu entendimento “contribuíram para o fortalecimento da democracia”. 

Prometeu cumprir e fazer cumprir a constituição e governar sem olhar a cores políticas. “Declaro por minha honra respeitar a Constituição e a lei, ser o presidente de todos os angolanos e governar em prol do desenvolvimento económico e social do país e o bem-estar de todos os angolanos”, assegurou. 

Posteriormente focou-se em aspectos práticos da vida das populações, prometendo melhorias. “Dedicarei todas as minhas forças e atenção na busca permanente das melhores soluções para os principais problemas do país. Particular atenção será prestada ao sector social no que concerne ao bem-estar das populações. Continuaremos a investir no ser humano como principal agente do desenvolvimento, na sua educação e formação, nos cuidados de saúde, na habitação condigna, no acesso à água potável e energia eléctrica, no saneamento básico”, garantiu.

João Lourenço dedicou especial atenção à componente económica, referindo que o seu governo continuará “a trabalhar em políticas e boas práticas para incentivar e promover o sector privado da economia, para aumentar a oferta de bens e serviços de produção nacional, aumentar as exportações e criar cada vez mais postos de trabalho para os angolanos, sobretudo para os mais jovens”.

“O cidadão em geral, o trabalhador e o jovem em particular, continuam no centro das nossas atenções. Desta forma, trabalharemos sempre no sentido do fortalecimento constante da nossa economia, para fazer dela uma economia que possa garantir ao trabalhador um salário condigno e um poder de compra que seja compatível com a capacidade de aquisição dos bens essenciais de consumo da cesta básica”, assegurou.

Tratou o tema combate à corrupção com pinças e muito pela rama, referindo que “a sociedade angolana e os competentes órgãos de Justiça vão prosseguir com o seu trabalho de prevenção e combate contra a corrupção e a impunidade que ainda prevalece”. A isso acrescentou haver necessidade premente de se “trabalhar na educação das pessoas para a necessidade da mudança de paradigma, de vícios, más práticas e maus comportamentos instalados e enraizados há anos”.      

No cargo de vice-presidente da República foi investida a bióloga Esperança Costa, que no último governo desempenhou a função de secretária de Estado das Pescas. Será a primeira vez na história de Angola que uma mulher ocupa o cargo.

A cerimónia foi completada com um desfile militar durante o qual foi exibido parte do arsenal bélico do país dos distintos ramos das Forças Armadas e da Polícia Nacional. 

João Lourenço e Esperança Costa foram eleitos respectivamente presidente e vice-presidente da República na sequência da vitória do MPLA, que obteve 51,17% dos votos válidos, o que lhe vai conferir 124 deputados na Assembleia Nacional. A UNITA, principal partido da Oposição, logrou 43,97% e terá 90 representantes. PRS, com 1,14%, FNLA, com 1,06%, e PHA, com 1,02%, terão dois deputados cada, totalizando 220.