“As mulheres devem ter a oportunidade de ombrear com os homens, seja no acesso à escola, seja no mercado de trabalho, seja na acção partidária ou no exercício de cargos públicos. Aliás, a Declaração Universal dos Direitos Humanos considera o investimento na igualdade de género e no empoderamento das mulheres um factor vital para a melhoria das condições económicas, sociais e políticas nos países em desenvolvimento”.

(Presidente João Lourenço, no discurso de tomada de posse do primeiro mandato, no dia 26 de Setembro de 2017)

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“Honraremos o compromisso de continuar a lutar pela igualdade do género, pela igualdade de oportunidades e promoção da mulher para os mais altos cargos de direcção e chefia no aparelho do Estado, nos cargos públicos e de liderança em diferentes sectores da sociedade angolana.”

(Presidente João Lourenço no discurso de investidura para o segundo mandato, no dia 15 de Setembro de 2022)

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O compromisso do Presidente João Lourenço com o equilíbrio do género está a aproximá-lo, perigosamente, da misandria, que é repulsa, desprezo ou ódio contra o homem.

Na quinta-feira, 22, o Presidente da República nomeou um novo Conselho de Administração da Comissão de Mercados de Capitais.

Chefiado por Andreia Vanessa Simões, integram o Conselho de Administração Ludmila Isménia Cardoso dos Santos Dange, Edna Augusta dos Santos Nunda Barbosa de Mascarenhas, Nádia Kelly Pinheiro Graça Pinto e Sydney Júlio Pereira Teixeira.

Um único homem, Sydney Teixeira, ensanduichado entre quatro mulheres.

Isso é tudo, menos equilíbrio do género.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada pelas Nações Unidas, defende “a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, económica e pública”. Não diz, em circunstância alguma, que o género feminino deve sufocar ou sobrepor-se à competência, ao mérito.

Desde que chegou a Presidente da República, João Lourenço já fez muito pela valorização da mulher. Por exemplo, conseguiu um feito inédito, que foi colocar mais mulheres do que homens no Comité Central do seu partido. Além de que, pela primeira vez, colocou mulheres à testa da Assembleia Nacional, do Tribunal Constitucional, do Tribunal de Contas e até da própria vice-presidência da República.

Com João Lourenço, a segunda (vice-Presidente da República), terceira (presidente da Assembleia Nacional) e a quarta (presidente do Tribunal Constitucional) figuras na hierarquia do Estado são mulheres.

Dir-se-ia mesmo que o Presidente da República confundiu a igualdade do género com a simples troca de homens por mulheres. 

Mas, João Lourenço não precisa de levar esse compromisso a extremos, a ponto de correr o risco de lhe ser apontada aversão patológica aos homens. 

Haja ponderação, Presidente!

O actual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é acusado de ser misógino. Não queira o nosso Presidente levar no “lombo” com a suspeita de ter simpatia pela misandria.