Três nomes estão sobre a mesa do Presidente da República para a escolha e nomeação do futuro chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas.

Na disputa estão os generais Altino Carlos José dos Santos, Comandante da Força Aérea Nacional, Abreu Muengo Ukwachitembo “ Kamorteiro”, chefe do Estado Maior General Adjunto para a Área Operacional e de Desenvolvimento das FAA, e Adriano Makavela Mackenzie, chefe da Direção Principal de Preparação de Tropas e Ensino do EMG das FAA.

Nomeado em Abril de 2018 e sendo elegível para mais um mandato, o actual chefe do Estado Maior General das FAA, António Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, não está mais disponível por razões de saúde.

Dos três elegíveis ao cargo de CEMG, o mais próximo é o general Kamorteiro. Contra ele concorre, no entanto, o facto de ser “proveniente”.

Proveniente é um adjectivo que, nas FAA, qualifica os militares procedentes das extintas Forças Militares da UNITA.

Depois de eleições que não lhe correram de feição, dirigentes do MPLA têm manifestado ao Presidente da República e Comandante-em-chefe das FAA receios de que confiar a chefia das FAA a um antigo cabo de guerra da UNITA poderia torna-las “apáticas” perante uma iminente e muito temida convulsão social.

Tanto João Lourenço quanto o seu partido têm nas FAA e nas unidades especiais da Polícia o suporte do poder que lhes é popularmente contestado.

Contra Adriano Makavela Mackenzie milita, também, a circunstância de haver servido a UNITA, não obstante ter “saltado o muro de Berlim” muitos anos antes do fim da guerra, em 2002. Aos 66 anos, Mackenzie está no limite da idade elegível. Ou é nomeado agora, ou nunca mais apanha o “comboio”.

Operacional das antigas FAPLA, o luandense Altino Carlos José dos Santos, General Altino, como é tratado nas lides castrenses, é o que mais “garantias” oferece ao MPLA e ao seu presidente.


Comandante da FANA, ministro da Defesa Nacional e chefe da Casa de Segurança. Será que a visita visou projectar o General Altino?

Num gesto que pode significar alguma coisa, ou não, terça-feira, o General Altino fez parte de uma comitiva que visitou a 5ª Região Militar, que compreende as localidades de Mavinga e Licua, cenário de épicas batalhas militares.

Chefiada pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Francisco Pereira Furtado, a delegação integrou, também, o ministro da Defesa Nacional, João Ernesto dos Santos “Liberdade” e outros oficiais superiores dos três ramos das Forças Armadas Angolanas.

Nas lides castrenses, o General Altino é visto como o favorito do General Francisco Furtado, cujas funções lhe escancaram as portas do gabinete do Presidente da República e Comandante-em-chefe sem passar por qualquer “posto de controlo”.

Comissário político das extintas FAPLA e antigo membro do Comité Central do MPLA, o consulado do General Disciplina à testa das FAA foi marcado pela completa sujeição da instituição militar aos ditames do seu partido.

Colocou as FAA em prontidão combativa elevada sempre que o MPLA organizou um evento de massas em Luanda.

Mas, apesar da “disciplina partidária” que o CEMG se esforçou por “inocular” na instituição castrense, as recentes eleições mostraram que o Presidente João Lourenço e o MPLA tiveram índices de rejeição muito elevados nas Forças Armadas Angolanas.

Além de não ter curriculum que sustente a sua nomeação para CEMG das FAA, o General Disciplina causou constrangimento à instituição porque sempre tomou-a como uma extensão do “seu” MPLA. Em algumas ocasiões referiu-se a João Lourenço não como Comandante-em-Chefe, mas como “camarada Presidente”.

No desfile militar que assinalou a recente investidura de João Lourenço, o General Disciplina deveria estar ao lado do Comandante-em-Chefe a assistir ao desfile. Porém, Disciplina preferiu fazer, ele próprio, o papel de cicerone.