O Brasil que se ponha a pau

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Coitado do novo Governo de Lula. Ontem, sexta-feira, levou de Angola, por via do jornal oficioso, um valente açoite por haver aceite o pagamento antecipado de parte dos muitos milhões de dólares que o anterior Governo de Lula emprestou ao nosso país.

“O Brasil deveria lembrar-se que Angola é aquele credor que, devendo 900 milhões de dólares com prazo de liquidação limite fixado para 2024, foi capaz de encurtar extraordinariamente o tempo de espera, liquidando na totalidade a dívida em Dezembro de 2019”, diz-se num “raivoso” texto de opinião publicado no Jornal de Angola.  

 A descarga da bílis deveu-se ao facto de o reeleito Lula não haver prestado alguns minutos de atenção a sós ao Presidente João Lourenço que, aparentemente, foi a Brasília não apenas para assistir à posse de Lula, mas, sobretudo, para lhe tomar minutos de atenção.

O cancelamento da audiência que Lula deveria conceder a João Lourenço é considerado pelo articulista do Jornal de Angola como uma “desconsideração” que “não caiu bem” à comitiva angolana. (…) Por isso, se o Presidente João Lourenço terá se irritado com tudo o que teve de suportar, como se lê nos textos da imprensa, julgo eu que tenha tido a reacção certa. Completamente coberto de razão porque, acontecendo como as coisas aconteceram, o líder angolano e o nosso país sofreram um dano reputacional que vai levar tempo a superar.”

Pronto, o caldo entornou: por “dano reputacional que vai levar tempo a superar” deve entender-se um grave esfriamento das relações oficiais entre os dois países.

Conhecendo, como muitos conhecemos, o espírito vingativo de alguns dignitários angolanos, o dito “dano reputacional que vai levar tempo a superar” causará imensos e, se calhar, irreparáveis, estragos nas relações bilaterais. 

Ou seja, o Brasil e os seus interesses em Angola que se ponham a pau!

O “raivoso” texto foi publicado no Jornal de Angola um dia depois de o CIPRA haver publicado na sua página no Facebook uma informação segundo a qual os Presidentes João Lourenço e Lula da Silva teriam conversado ao telefone.

Publicada na tarde de quarta-feira, a informação do CIPRA nada diz sobre de quem partiu a iniciativa da aludida conversa telefónica.