LABORINHO FOI À AN E SAIU “ILESO”

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A 2ª Comissão da Assembleia Nacional promoveu esta quarta-feira, 8, uma audição ao ministro do Interior, Eugénio Laborinho, para lhe pedir explicações sobre os mais rumorosos assuntos que, por estes dias, têm inquietado a generalidade dos angolanos.

A ministro do Interior, os deputados exigiram esclarecimentos a respeito de recorrentes denúncias envolvendo altos dirigentes do Serviço de Investigação Criminal no tráfico de drogas pesadas e o crescente tráfico humano.

 O ministro do Interior ouviu, ainda, as inquietações de deputados sobre o tráfico de combustível para países limítrofes, especialmente a República Democrática do Congo e respondeu, também, a questões sobre a crescente falsificação de moeda nacional e estrangeira, designadamente o dólar norte-americano.

O escrutínio ao ministro do Interior prolongou-se por três horas e, no seu final, os deputados mostraram-se agradados com as explicações dadas.

Presidida por Ruth Mendes, deputada pelo MPLA,  a 2º Comissão da Assembleia Nacional atente a questões ligadas à Defesa, Segurança, Ordem Interna, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria.

Ao que dizem fontes seguras, o ministro do Interior classificou como fantasias as denúncias envolvendo altos responsáveis do SIC no tráfico de drogas e enumerou acções já em curso para desencorajar outras práticas delituosas. 

Agradado com a performance de Eugénio Laborinho, no final da audição um  deputado pelo MPLA comentou para os seus que “Laborinho matou a cobra e mostrou o pau”.

Essa foi a primeira audição parlamentar da V Legislatura da Assembleia Nacional.

Sobre a mesa da presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, já estão outros pedidos de audição de membros do Executivo, da iniciativa do MPLA, UNITA e outros partidos com representação parlamentar. 

Fonte do gabinete da presidente da Assembleia Nacional assegurou que, no que depender de Carolina Cerqueira, todas as audições solicitadas serão promovidas.

Nos termos da Constituição, as audições a membros do Executivo estão condicionadas ao prévio consentimento do Titular do Poder Executivo.

A audição ao ministro do Interior decorreu menos de uma semana depois de ele haver sido “fogachado” pelo antigo comandante geral da Polícia Nacional.

Em extensa entrevista ao Novo Jornal, Paulo de Almeida quase comparou a sua condição de comandante geral da Polícia a de um palhaço. 

“Senti que não comandei. Tinha título, tinha divisas, mas não comandei”.

Aos deputados, o ministro do Interior atribuiu os queixumes de Paulo de Almeida a uma deficiente interpretação da lei.

Em linguagem figurada dir-se-ia que Laborinho foi à chuva e não se molhou.

As audições parlamentares, que o anterior presidente da Assembleia Nacional escamoteava, são uteis e necessárias porque proporcionam esclarecimentos, esbatem dúvidas e encorajam sugestões.
Na audição de quarta-feira, por exemplo, os deputados recomendaram ao ministro do Interior o endurecimento de medidas contra o tráfico de crianças e o combate ao tráfico de combustíveis.

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