JL reúne com os mais velhos do MPLA

5943

Criado em 2021, o Conselho de Honra do MPLA terá hoje a sua primeira reunião.

O MPLA não divulgou a agenda da primeira reunião desse órgão de consulta e aconselhamento do seu presidente.

O Conselho de Honra do MPLA reunirá na ressaca da jornada de protesto silencioso contra os rumos do país. 

Também informalmente designado como Conselho de Sábios, o órgão de consulta e aconselhamento do presidente do MPLA ocorre num momento em que no interior do próprio partido já não é possível disfarçar a contestação ao líder.

A reunião do Conselho de Honra do MPLA coincide com propósitos, atribuídos ao próprio João Lourenço, de promover uma alteração constitucional que lhe permita concorrer a um terceiro mandato como Presidente da República.

A alteração da Constituição visando, essencialmente, acomodar um terceiro mandato para João Lourenço é matéria que divide o MPLA.

Em círculos privados, altos dirigentes do partido têm confessado que não apoiarão qualquer alteração constitucional com esse propósito específico.

Sem o apoio do MPLA, ou pelo menos de parte do seu núcleo dirigente, João Lourenço muito dificilmente conseguirá alterar a CRA. 

A João Lourenço não são notados quaisquer preparativos para deixar o poder, em 2026. Pelo contrário, são-lhe mesmo atribuídos desenhos de vários cenários para se conservar no poleiro, depois de esgotado o mandato constitucional.  

Duas comissões de trabalho estariam a coadjuvar o Presidente João Lourenço no seu desígnio de se perpetuar no poder.

Maioritariamente integrado por octogenários, espera-se do Conselho de Honra do MPLA alguma coragem para aconselhar o Presidente da República a conformar-se com a Constituição da República, de que ele próprio foi legislador constituinte.

Um terceiro mandato para João Lourenço poderia resultar na fragmentação seguida de extinção do MPLA.

No Conselho de Honra têm assento um antigo vice-presidente do MPLA, Roberto de Almeida, três antigos secretários-gerais, Lopo do Nascimento, Dino Matrosse e António Cassoma, e pelos veteranos anciões Francisco Magalhães Paiva “Nvunda”, Amadeu Timóteo Malheiro Amorim, Santana André Pitra “Petroff”, José Diogo Ventura,  Luzia Pereira de Sousa Inglês Van-Dúnem “Inga”, Maria da Conceição Roque Caposso, Maria Rufina Ramos da Cruz, Irene Judith de Sousa Webba da Silva, Teresa de Jesus Cohen dos Santos e Rodeth Teresa Makina Gil “Rodeth Gil”. Integram-no, ainda, João Luís Neto “Xietu”, António Fuamini da Costa Fernandes,  , António dos Santos França “Ndalu”, Hermínio Joaquim, Escórcio,  Maria Eugénia da Silva Neto, José Domingos Francisco Tuta “Ouro de Angola, Albina Faria de Assis Pereira Africano, Ndombele Mbala Bernardo, Benigno Vieira Lopes “Ingo”, Engrácia Francisco Cabenha, e Ismael Gaspar Martins.

Completam o Conselho Brito Sozinho, Manuel Alexandre Rodrigues “Kito”, António José Condesse de Carvalho “Toka” e Augusto Lopes Teixeira “TuTu”.

As sugestões e recomendações do Conselho de Honra não são vinculativas.

Provavelmente, apenas a respeitável idade dos seus integrantes convencerá o líder do MPLA a prestar alguma atenção às sugestões dos anciões. 

Mas, pessoas que privam com João Lourenço temem que nem mesmo a avançada idade dos seus interlocutores de hoje é garantia de que o Presidente tomará em consideração o que vai ouvir.