Luanda, cemitério dos militantes do MPLA

5985

É uma afirmação de um membro do Bureau Político do MPLA que ficou célebre.

O Presidente da República é, na prática, o governador de Luanda. 

A Constituição estabelece que tem o poder de nomear e exonerar os governadores e mais: os auxiliares do governador. Ou seja, os vice -governadores (artigo 119).

Tantos poderes num só homem seria, porventura, melhor coroa-lo rei.

Isto nas suas funções combinadas de Chefe de Estado, Presidente da República e Titular do Poder Executivo. 

O governador exerce poderes delegados e até para nomear os seus auxiliares o governador depende do Presidente. 

Mas, é o que está na previsão do ordenamento jurídico angolano e como a Constituição dispõe, os  governadores têm para com ele uma relação de subordinação. 

Em Outubro de 2022, por exemplo, o Presidente da República nomeou um enorme número de auxiliares dos auxiliares dos  governadores de dezoito (18) províncias.

De uma assentada. Luanda não é somente o cemitério dos quadros do MPLA; Luanda tem um potencial para enterrar qualquer governador. 

Luanda já foi governada por um triunvirato. Desconseguiram. Aníbal Rocha e Sérgio Rescova, porventura os governadores mais “bem amados”, também experimentaram o poder do rolo compressor. 

Talvez, em primeira instância, a culpa possa ser atribuída à “senhora autoridade” ou a ausência dela, conforme se queixa o governador-militante da vez, Manuel Homem (na foto).

Certa vez, um governador disse  que “todos mandam em Luanda.”  Não é difícil imaginar quem são esses “todos “. 

Luanda tem hoje quase a mesma população de Portugal. Um governador para 11 milhões habitantes. 

A ambulância para chegar ao Cazenga profundo, mesmo que parta de um quartel próximo da administração local, demora a chegar e previsivelmente sem água. 

Os jovens (até 25 anos) saberão  que Luanda foi governada por Lourenço Vaz Contreiras, Romão da Silva ou ainda, Mendes de Carvalho, Mariano “Puku”, Evaristo Domingos “Kimba” e até pelo diplomata  Afonso Van-Dunem “Mbinda”.

Num feriado, um cidadão que mora na centralidade do Kilamba foi obrigado a viajar até aos Combatentes para pagar a luz na sede da ENDE, na Paiva Couceiro. 

Portanto, autarquias e mais autarquias. Já não se contam pelos dedos das mãos os governadores que os cidadãos tentaram empurrar para frente e a carruagem, ainda assim, não andou. 

Os cidadãos certamente se sentirão mobilizados pelo actual governador se ele mostrar a fórmula mágica que tem para, de uma vez por todas, tirar Luanda da situação de unidade administrativa caótica. Senão, será mais um militante do MPLA a caminho do cemitério.

A não ser que, por alguma mágica ou melhor opinião, a governação de Luanda por delegação do poder presidencial, prove que é melhor do que as autarquias.