A explosiva combinação
da arrogância com o amadorismo

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Durante três dias, João Lourenço esteve, desnecessariamente, no “grelhador” da opinião pública.

Pelos vistos, não havia – ou, melhor, não há – ninguém no staff do Presidente da República e no da embaixada de Angola na Grã-Bretanha com agilidade suficiente para localizar um vídeo e fazer uma fotografia.

Pelos vistos, não há no staff  do “Imperador” nem no da embaixada alguém com “inglês” e, sobretudo, com a destreza suficientes para saber a quem ir bater à porta para pedir uma cópia da participação do Presidente João Lourenço na cerimónia de coroação de Carlos III.

 Há mais de três meses que se sabia como seria o evento, quem teria acesso aos actos oficiais e como as fotografias e as imagens chegariam à imprensa e televisões. Há mais de 3 meses!

Por cá pouco ou nada se fez de tal sorte que a participação do Presidente da República nas cerimónias oficiais chegou a ser mesmo questionada.

Finalmente localizado na multidão que foi à coroação de Carlos III, ao staff de João Lourenço falta, agora. explicar os “diavulos” que um “imberbe” como Umaru Sissoko dá ao Presidente angolano em todos os eventos internacionais em que se cruzam.

Mas, antes é necessário esclarecer que a área em que o PR foi “localizado”, com a possível ajuda de GPS e de um microscópio, não era o espaço reservado a convidados VIP. Na imagem, é notório que chefes de Estado, de Governo e outros dignitários são encaminhados a lugares mais condizentes com os seus estatutos, ao passo que o PR estava acomodado na bancada geral, aquela destinada aos pesos “mosca” na política e jet-set internacionais. 

Se fosse permitia uma analogia com um jogo de futebol opondo o 1º de Agosto ao Progresso do Sambizanga, no “velhinho” estádio dos Coqueiros, dir-se-ia que o Presidente João Lourenço estava na bancada dos “peões”… 

No resto – e que também é muito incómodo para a imagem de Angola – o Presidente João Lourenço  continua a ser amplamente “abafado” pelo jovem líder da Guiné Bissau.

Em Washington, onde ambos estiveram em Dezembro passado para a cimeira Estados Unidos/África, Sissoko foi recebido em privado pelo anfitrião Joe Biden. Já a foto do nosso primeira casal com Biden, que o CIPRA mantém como cartão de visita do seu site no Facebook, foi feita num jantar oficial, que juntou todos os participantes da cimeira.

No primeiro dia deste ano, o acabado de empossar Luís Inácio Lula da Silva dedicou uns bons minutos de atenção ao jovem Presidente da Guiné Bissau.

Possivelmente já informado de que membros da guarda de João Lourenço andaram à bordoada com angolanos em Brasília, por muito pouco Lula da Silva não se detinha um segundo para agradecer as palavras de felicitações do seu homólogo angolano.

Agora em Londres, o jovem líder guineense esteve alguns minutinhos à conversa com o novo monarca britânico, privilégio não extensivo ao designado campeão da paz em África.

Aliás, feito “povo em geral”, é muito improvável que o Rei Carlos III tenha registado a presença do Presidente João Lourenço na recepção que ofereceu aos seus convidados.

Fique claro: não é ao cidadão comum que cabe descobrir imagens do Presidente da República em Londres. É à Presidência da República e à média estatal, invariavelmente integrada na “bagagem”, que caberia fazer isso.

Sissoko fez a sua parte. João Lourenço só fez um terço ou nem isso: deixou-se fotografar na (milionária) suite do hotel e alguém pegou nas fotos e publicou-as numa conta antiga do Instagram que remete os interessados para uma página na internet desactivada…

Se calhar – ou muito provavelmente – o ministro do Interior vai culpar os cidadãos.

Os contribuintes deste país ficariam melhor se o seu Governo, embaixadas incluídas, tivesse uma verdadeira política de Comunicação, que não é o mesmo que Jornalismo. Uma política que soubesse que Comunicação não tem nada a ver com policiamento das redes sociais, nem tão pouco com o mau hábito de faltar ao respeito a quem faça qualquer observação crítica ao desempenho de quem se julga gênio em tudo. 

Professores mal formados, boçais que nunca se impuseram como jornalistas, e jornalistas que querem impor-se como sipaios ou como inacessíveis assessores, prestam um péssimo serviço a quem servem.

 Em suma, a coroação de Carlos III, um dos maiores eventos político-sociais do ano, acabou por ser transformada em mais uma amostra do amadorismo e da incompetência da equipa que serve o Presidente da República. 

E para cúmulo, arrogantes, amadores e mal formados, os pretensos assistentes do PR reagem sempre da mesma maneira: não precisam de dar satisfações a ninguém. E quando, contra o que é usual, abrem a matraca, dela só saem cobras e lagartos. Ciência, pedagogia, respeito, que são bons, nada!

Pelo excessivo número de pessoas e meios materiais que envolvem,  as deslocações do Presidente da República ao estrangeiro têm sido verdadeiros fardos aos cofres públicos.

Mas, é dinheiro gasto para nada! 

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