Angola é governada
por um triunvirato militar?

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A semana passada, a ida do Presidente da República e Primeira Dama à cerimónia de coroação do rei Charles III (sábado, 06/05/2023) ocupou as redes sociais, sobretudo.
A imprensa governamental teve, ao contrário de outras visitas de Estado ao exterior, teve um desempenho excepcionalmente discreto, envergonhado mesmo, se assim se pode dizer.
O mesmo aconteceu com a assessoria de imprensa da Presidência da República e em particular o CIPRA (Centro de Imprensa da Presidência da República).
Além da reacção muito pouco urbana de Luís Fernando a um texto de José Gama, do Club-K, Presidência e CIPRA mostraram dificuldades em fornecer informações sobre a presença de JLO em Londres.
Outro acontecimento que vinha de semanas anteriores e que continuou a repercutir na semana passada tem a ver com comunicação pública sobre as enxurradas de Abril em Luanda.
Para esta empreitada, o governo destacou o Ministro de Estado da Casa de Segurança do Presidente da República e o Ministro do Interior.
Uma dupla da pesada, na linguagem popular. O balanço revelado era pesado. Mais de três centenas de cidadãos mortos e um número indeterminado de desaparecidos, além de avultados prejuízos materiais.
Sobre os  trágicos acontecimentos, tarde ou cedo, o governo comunicou e ao menos em parte pretendeu justificar a adopção do slogan “comunicar mais e melhor”. Mas a emenda superou o soneto em deficiência.
Desde logo, porque a equipa de comunicadores é tida como a mais musculada e pouco republicana  do governo.
Dir-se-ia que são dois homens muito dados a valentões perante pessoas incapazes.
Quando os índices do coronavírus aparentemente atingiram fasquia assustadora (diz-se aparentemente porque depois do comunicado da OMS tornou-se imprudente acreditar piamente no discurso oficial), aquelas duas altas patentes usaram linguagem desrespeitosa, ameaçadora e, em não poucos casos, roceira mesmo, na comunicação com os cidadãos.
Nas duas ocasiões, o  Presidente da República não saiu em socorro das populações ameaçadíssimos.
Pelo contrário, persistiu na aposta na dupla militar, quando até tem à mão um civil, decente  e bom comunicador, o ministro de Estado da Casa Civil.
Parece óbvio que entre esta dupla de auxiliares e o Titular do Poder Executivo está constituído o triunvirato governamental.
Mesmo estando constituído (em tese) um triunvirato de peso a governar, ainda assim, na sua comunicação, o ministro do Interior chegou à conclusão que as populações  são culpadas da sua própria desgraça e precisam de ser “disciplinadas.”
Como são conhecidas as receitas do ministro para lidar com os casos de indisciplina dos cidadãos, contribuintes e votantes, na próxima estação das chuvas, em vez de um serviço público de socorro e solidariedade com as vítimas, haverá distribuição de “rebuçados e chocolates.”
Essa é a “prescrição médica” do ministro Laborinho para todas as adversidades.
Se no  primeiro episódio  o comportamento (nada republicano) do ministro do Interior sobressaiu, mais uma vez, no  segundo, resultou barulhento o inusitado silêncio dos serviços auxiliares da Presidencia da República.