TROGLODISMO

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O mais elementar dos dicionários da Língua Portuguesa define troglodita como alguém que vive em cavernas ou debaixo da terra; cavernícola. Ou, ainda, uma pessoa rude e pessoa grosseira.

Em 2019, pouco tempo depois de ascender ao cadeirão máximo, o Presidente João Lourenço ordenou a contratação da norte-americana Squire Patton Boggs para fazer-lhe o lobby junto da Administração Biden e de outras instituições dos Estados Unidos.

Segundo informações razoavelmente credíveis, o Estado angolano desembolsa anualmente mais de 4 milhões para o lobby para a qual contratou a Squire Patton Boggs.

Apesar da dinheirama que Angola gasta, quando em Dezembro de 2022 participou da cimeira EUA/África, o Presidente João Lourenço e mulher só tiveram acesso à sala de jantar da Casa Branca em “manada”, ou seja, misturado com todos os outros homólogos convidados para o evento.

A Squire Patton Boggs não conseguiu que JL tivesse um teté-a-tête com Joe Biden na emblemática sala oval.

A humilhante desfeita ao Presidente João Lourenço já custou o cargo ao embaixador Joaquim do Espírito Santos, um diplomata que, diz-se, era mais facilmente localizável em bordeis do que na embaixada ou em algum departamento oficial norte-americano.

Internamente, para dar “cara de gente” de Presidente da República a João Lourenço, o Estado angolano contratou os serviços da agência lusa Cunha Vaz & Associados – Consultores em Comunicação, S.A.

O contrato envolve outros tantos milhões de dólares, que Vera Daves um dia (e esse dia chegará) será obrigada a tornar públicos.

Mesmo somados, os milhões pagos à norte-americana Squire Patton Boggs e à lusa Cunha Vaz & Associados não conseguirão dar a João Lourenço cara e postura de Presidente da República.

Os assessores, amigos e familiares dele que tenham paciência, mas confundir uma manifestação de protesto contra o aumento do custo de vida com uma tentativa de chegar ao poder por meios impróprios roça a troglodismo.