Independência traída

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Está a morrer muita gente e ao mesmo tempo inauguram-se cada vez mais hospitais no país.

Outro dia, no cemitério do Benfica,  um cidadão disse: “Angola é o único país onde há engarrafamentos nos cemitérios.”

E entende-se que é o mesmo que dizer que morrem muitos angolanos e angolanas.

Talvez os governantes do nosso país, Presidente da República, Ministra da Saúde, Deputados, da situação e da oposição, devem dar o exemplo de que os hospitais inaugurados são fiáveis.

Ou seja, os dignitários nacionais deveriam procurar atendimento médico, incluindo internamento,  nestes hospitais recém inaugurados com pompa e circunstância em vez de optarem por hospitais em países estrangeiros.

Seria uma forte mensagem de confiança enviada aos cidadãos.

Retomando o tópico inicial: cada município ou distrito devia dispor do seu campo santo. É pena que desde 2015 tenham prometido a implementação das autarquias e nada tenha acontecido.

A chuvada de ontem e hoje revelou a urgência das autarquias.

Passadas 48 horas nenhuma repartição pública se apresentou para concertar as “estradas nos buracos.” Até nas portas da unidade de trânsito de Luanda há charcos e buracos.

Mesmo assim,  as autoridades dirão “estamos a trabalhar” para resolver a situação e os cidadãos não dispõem destas probabilidades. Têm que pagar os impostos e taxas nas datas estabelecidas.

E para comer o “pão nosso de cada dia que o diabo amassou” milhares de angolanos têm que trabalhar diariamente, ou seja, trabalhar para comer.

Faça chuva ou faça sol. Quando se observa o país, primeiro indaga-se a razão de tanto sofrimento de largos extractos sociais. E a primeira conclusão é a de que os governantes não vivem na mesma Angola em que a maioria vive.

LL (agora com 18 anos) achou a solução para ter pelo menos pão e café à mesa: casar com um cidadão chinês (53 anos). Todos dias ia à lavra com a mãe e pelo caminho passavam por um estaleiro chinês.

O operário chinês  ou lá o que ele é realmente, chamava-a para conversar. Enfim, é do domínio público que muitos cidadãos chineses em Angola foram deportados para expiarem os seus pecados perante as leis chinesas.

Na sequência, pratica um crime no país que o acolheu, já que a menina tinha 16 anos quando se envolve carnalmente com ela e acaba por preenche-la. O bebê tem dois anos.

Não se trata de exercício de xenofobia. Se fosse um meio ancião angolano resultava na mesma. É verdade que a jovem angolana defende-se dizendo que o seu cônjuge asiático presta assistência à sua mãe.

Deduz-se daí que a união é abençoada pela progenitora. Mas, aqui reside a questão: a aprovação do relacionamento não pode resultar de acto de coação por manifesta vulnerabilidade da pessoa.

Portanto, aquela menina angolana  que viu no chinês a sua tábua de salvação é produto da independência falida. Falida e traída.